Uma janela na cidade.
Quando oiço a palavra Lisboa lembro-me logo da palavra poesia. Talvez pela beleza solar (ou lunar, também), feita de pedra, de calçada, de cor, de azulejo. Talvez pelo quadro das sete colinas brancas que se debruçam em cascata rumo ao rio. Talvez pelo próprio rio, coberto quase sempre por um céu pintado de azul .Talvez pela tatuagem feita de luz, que nos fica entrenhada até ao último sopro e nos inspira a vida inteira. Talvez pela tristeza feita de fado e de um cais que avista a esperança, mas esperando ainda desespera. Talvez por todas as sugestoes que o velho eléctrico, que nos leva ao castelo, ainda nos desperta. Ou talvez porque a palavra Lisboa, me lembra também a palavra casa. Curioso... Há um pormenor que me surpreende sempre quando saio do aeroporto e atravesso a cidade: não sinto saudades. Talvez, porque afinal, nunca me fui daqui embora. Talvez porque em minha casa há sempre uma janela a lembrar-me que a poesia ainda vive.


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