sábado, janeiro 06, 2007

Era "preto"?

Se há coisa que me enerva é que associem os actos de má fé aos negros. Negros que pela força da expressão e da linguagem racista das nossas gentes dá "pretos". Como se os pretos fossem os culpados de tudo. Pois aqui fica mais uma das minhas historias, que vem ilustrar uma data de coisas, nomeadamente essa grande verdade que a minha mãe faz sempre questão de dizer, quando qualquer coisa de bizarro me acontece. Seja a coisa despoletada pelos meus actos inconsequentes ou não. Essa grande teoria de " que se não nascesse tinha de ser inventada"!

Então, no outro dia tinha eu acabado mais um dia produtivo de pesquisa na mui nobre e distinta Biblioteca Nacional de Lisboa, que para quem conhece, fica ali em Entre Campos, ia eu a caminho de casa, com os fones nos ouvidos, a mala a tiracolo e a pasta do portatil no ombro , ali pela rua João Soares na direcção do Campo Grande, que para que não sabe, é uma rua paralela ao Jardim do Campo Grande, mesmo ao lado das universidades e do Colégio Moderno, quando subitamente dou por mim, a ser abafada por alguém que me sufoca o pescoço e me pede o telemovel e o portatil. Sem reacção e sobretudo sem ar acabo por deixar cair ao chao a mala com o pc. A pessoa, pela estratégia engendrada so me deixou ver o perfil ( aparentava ter entre os 16-18 anos, era mais alta que eu, era rapaz, tinha uma camisola vermelha e umas calças claras e so me lembro de o ouvir " caladinha caladinha, o pc e o telemovel, caladinha, caladinha", ahhh e sim "era preto"). Não ofereci resistência - receava que me esfaqueasse ali mesmo, ou quiça me desse um tiro (enfim, no fundo, tambem sou uma grande vitima do cinema e da eficiente conspiração do medo). Quando ele conseguiu o que queria, atravessou a correr a rua, que estava repleta de carros ( ja no passeio onde estava nao passava vive-alma) e enfiou-se Jardim adentro. Perdi-lhe o rasto. Não sei contabilizar o tempo da acção, não sei se a cena se passou em 3 , 4, 10 minutos. Quando lhe perdi o rasto é que me começei a enervar. Tremi mesmo. O meu computador e o tlm novo tinham desaparecido. Assim , como grande parte dos meus dados, que por estupidez não tinha feito cópias de segurança. Desatei a correr e lembrei-me que 100 metros à frente devia haver um policia. Afinal o Excelsso ex-presidente da republica, o sr. dr. mario soares vive ali perto e tem sempre a porta um guardião. Mais sorte que eu, mera transeunte. O policia ouviu-me e disse que nao podia " abandonar o local", mas la chamou os colegas que meia hora depois do ocorrido apareceram ao pe de mim. Nas calmas disseram-me para entrar no carro que iriamos, em conjunto, procurar o individuo. Ideia brilhante do policia nr. 1, " vamos ao metro de Entrecampos", que para quem sabe, fica ali antes do Campo Pequeno, ali pros lados da ex-feira popular. La fomos para o metro. Como se meia hora depois o individuo estivesse no metro a nossa espera... Do metro, fomos ver a estaçao de comboios, sita no mesmo local. Tentativas vas - como é obvio. So mesmo os policias para se lembrarem disso. Enfim, o dever obrigava-os a fazer a ronda. Nao importa que ronda, mas a ronda. Claro que nao encontramos ninguem nem reavemos nada. Mas eu aprendi uma data de coisas:

1- a dita rua onde fui agredida e assaltada é uma rua perigosa, e toda a gente sabe disso. Todas as semanas se passa ali qualquer coisa deste genero. Sublinho, todas as semanas! Relembro que a dita rua é uma rua onde ha bibliotecas nacionais, universidades, colegios publicos e privados e muitos estudantes, com certeza...
2- a lesgislaçao manda que os presidentes reformados tenham um policia a porta, mesmo se isso implica que as ruas perigosas onde ha bibliotecas nacionais, universidades, colegios publicos e privados e estudantes fiquem a merçe dos ladroes e continuem perigosas e desanconselhadas. Contençao de custos?
3- brincar aos policias quando se e pequenino nao e assim tao diferente de ser-se policia em portugal quando se é grande, com a diferença que quando se brinca aos policias quando se é pequenino, a maioria de nos nunca quer ser administrativo e somos mais prespicazes...
4- quando contamos episodios destes aos amigos, conhecidos e afins a primeira pergunta que nos colocam é " era preto?"

Infelizmente, tive de responder que sim, que era "preto". Claro que estou com um pó de ódio ao individuo, não porque ele era "preto", mas porque me roubou. Podia ter sido um branco, um amarelo ou um azul, mas as pessoas não entendem isso. Pior, condenam mais o facto de ele "ser preto" do que o facto dele "ser assaltante". O facto de ser " preto" da asas para debates indeterminaveis, ao ponto de se esquecer a evidencia de que um individuo roubou uma individua! E isto enerva-me. Ao ponto de dar por mim a defender o mesmo individuo, o mesmo que me roubou um pc de tres meses e um tlm novo, só porque ele era "preto". E a condenar o raio da intervençao policial neste pais!E quando penso nisto, vejo que o mundo anda mesmo equivocado (outro exemplo, há bem pouco tempo dei por mim a ter "piedade" do saddam, alguem por quem nunca nutri afeição, " só" por ter sido sujeito à pena de morte, e isto não é normal. Estarei louca?). Porque raio é que quando um arrumador de carros, a quem não demos moedinha, nos faz um risco enorme na porta, nos fura os pneus ou nos parte o vidro, ninguem se lembra de nos perguntar" ERA PRETO"? Sera porque na maioria das vezes são BRANCOS?

A questão que parece que nos andamos todos a esquecer é que todos os seres humanos devem ter assegurados: liberdade, bem-estar e dignidade. O acesso a saude, a habitação, a educação, a cultura e ao trabalho deveria ser igualitario para todos. De cascais a cova da moura, passando plo restelo e por chelas. Se assim fosse evitava-se que se roubassem pc's e tlm nas ruas e que pessoas pacificas ganhassem pó a outras pessoas. Mais, aprofundar-se-ia a tolerancia, a convivencia pacifica e até mesmo a democracia neste mundo fragmentado e injusto, mas, ao mesmo tempo diversificado e colorido ... parece que o que temos de inventar, é sim, um nascimento novo!

(Fdx, e se se tiver de despenalizar as drogras, q se depenalize!!!!)

4 Comentários:

Às domingo, 07 janeiro, 2007 , Blogger Ritz disse...

Tretas, no fim de contas. Treta de ladrão, e de polícia, e de situação em que se perde aquilo que é nosso. Serve de pouco consolo, mas fica um abraço e um grande beijo (e o desejo de que não percas a fé nas pessoas...)*

 
Às domingo, 07 janeiro, 2007 , Anonymous Anónimo disse...

Uma palavra: Azarada! O importante é que estas bem ( sim, eu sei, é muito tuga este comentário). Keep smilling, como só tu!

 
Às segunda-feira, 08 janeiro, 2007 , Anonymous Anónimo disse...

Oh miga... então?!!

QUE AZAR!!! Espero que apesar de todas essas contrariedades continues a ser optimista.... Se precisares de alguma coisa, avisa. FIca bem! Muitos beijinhos!

Ana

 
Às domingo, 14 janeiro, 2007 , Anonymous Anónimo disse...

Filho-da-p****
As pessoas andam mesmo desesperadas. Não ha emprego, nao ha subsidios, mas tu nao tens culpa. Va, anima-te.

 

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