O estrume da virtude...
Quem nunca pensou dar uma moeda de menor valor a um ceguinho, visto que lhe priva a visão o discernimento imediato, e ao mesmo tempo sentirmo-nos reconfortados por o termos feito? E quantas outras vezes não ocorreu questionarmo-nos se não demos em demasia? Se ele é verdadeiramente ceguinho e se merece tanto? Aqui está a representação de um jogo ético com a nossa própria consciência. Ao reflectirmos sobre esta questão vamos assumir ou não os valores morais do nosso desapego material e da nossa dependência face à questão. As conclusões a que chegarmos, quase de certeza, que não passarão de um irónico lamento: o aforismo de que a aparência é muitas vezes o estrume da virtude: O espelho da condição egoísta do Homem. Somos todos uma cambada de cómicos e amargos ao mesmo tempo. Por muito que tente evitar rubugens de pessimismo, sentimentos àsperos sem nenhuma bem-aventurança no futuro ou uma postura niilista, entediante e sofredora da concepção da Humanidade, não consigo deixar de pensar que o carácter humano não apresenta melhoras e que os heróis estão em vias de extinção...se bem que ainda existam excepções. Acabei-me de lembrar daquele pai muçulmano que há uns meses viu o filho ser assassinado por judeus e mesmo assim não hesitou em salvar a vida a uma menina judia, doando-lhe os orgãos do seu filho morto. Se isto não é ser herói, ao menos deveria merecer o Prémio Nobel da Paz. Não?... Porque raio é que nem sequer foi nomeado?


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