sábado, março 31, 2007

Jogar.


Jogar é um impulso natural e funciona como um grande motivador da imaginação, da auto afirmação, da autonomia e da destreza humana. É verdade que quase todos os jogos, exceptuando alguns azarados jogos da sorte, têm os seus objectivos, estratégias, vantagens, castigos, variações e regras, que vão ditar o que "vale" ou não dentro do mundo imaginário do jogo. Jogar tem todavia e igualmente o seu modo e tempo de utilização, ou seja, um estado inicial, um meio e um fim; com possibilidade de repetição. Também é verdade que o verbo jogar aparece quase sempre aliado ao verbo competir. Mas não será mentira se se escrever que a acção de jogar não se alinha necessariamente na sequência da acção de disputar. Pode dar-se o caso de num jogo não existir nem perdedor, nem vencedor. Tal proeza acontece quando jogador e adversário se predispõem a jogar com a vitalicia-vontade de absorver uma aprendizagem comum. Tanto melhor se essa aprendizagem for partilhada num clima de entusiasmo, exaltando sentimentos de tensão que tenderão organicamente a ser seguidos por um estado de alegria e distensão temporária. Não haverá, decerto, jogo mais complexo e surpreendente que o próprio acto de viver. Mesmo que possa ser injusto demasiado.

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