Reflectir.

Fosse ele transitivo, intransitivo ou reflexo conhecia de cor os seus tempos e modos. Às vezes lembrava-se mesmo de Nietzsche, mestre da reflexão; de Freud, mestre do reflexo e de Marx, mestre intermediário entre os dois. Mas foi particularmente naquele noite passada entre os espelhos de um qualquer café vazio que se deparou com toda a ambiguidade do fenómeno: se era verdade que o espelho reflectia a sua imagem (como a lua reflectia a luz do sol) e assim como ela reflectia sobre a sua vida e o tempo em que nela vivia, também era verdade que o espelho não reflectia exactamente e ao pormenor o seu rosto, assim como as reflexões que fazia sobre a sua vida e o tempo em que nela vivia não eram exactamente e ao pormenor reflexos da vida que tinha.
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