segunda-feira, junho 26, 2006

A minha santa terrinha...

Sao poucos os que nao têm uma santa terrinha. E se nao a tem é porque vivem la e acham que aquilo é a terra inteira, ou entao, de santa nao tem nada. As circunstancias fizeram de mim uma urbana-convertida: nasci e sempre vivi na cidade-grande, como o rato Joao. Mas, confesso que ao mesmo tempo, sou tambem uma rural-enraizada, como o primo do rato Joao, pois sempre tive o privilégio de ter uma santa terrinha: parafraseando o M. Torga, "a origem, de onde se sai e onde se volta sempre". Na verdade, quem saiu da santa terrinha, nao fui eu. A historia recua no tempo. Foram os meus avos, que decidiram, em tempos idos, que o melhor destino estava na cidade, e entao migraram. Era o tempo do exodo rural. Adaptaram-se, ao contrario do primo do rato Joao, ao admiravel mundo novo, vingaram na vida e depois la nasceram os meus pais e, depois eu... Nos dias que correm, somos todos muito urbanos, muito citadinos, deprimentemente muito civilizados.... Mas o apelo da santa terrinha chamou sempre por nos. Aos fins-de-semana, nas férias de Natal, da Pascoa, nos tres longos meses de verao, nos anos dourados da adolescencia...e agora, em todos aqueles dias em que nos apetece mandar a vida da urbe pro **** refugiamo-nos na nossa santa terrinha. A minha santa terrinha é de facto o meu refugio, o protesto da tempestade do sol em dias de calmaria, do ruido do mar em noites de tempestade, dos amigos que cresceram comigo, da luz do farol das berlengas ao longe, dos primeiros acordes da viola na eira, do pinhal das escondidas, da apanhada, do bate-pé, da verdade ou consequencia, das escadas atras da igreja, dos primeiros beijos, das primeiras paixonetas, da minha montain bike que me espera a cada regresso, dos trilhos de chao que conheço de cor, do quintal da minha avo, da tenda de tres bicos na fazenda, do reencontro com os primos, da aragem fresca da manha e da brisa limpida "do por do sol ao nascer".... Ohhh minha santa terrinha!!! Como diria o J.Palma " se fosse compositor, compunha em teu louvor, uma ode triunfal, se fosse critica de arte havia de declarar-te obra prima à escala mundial", mas como eu nao passo de " alguem de muito banal", vou deixar, aqui no blog, o que publiquei ha uns tempos, no intuito de te dar a conhecer um pouco mais (eu acho que mereçes). Nota-se a falta de parcialidade, mas como se pode ser imparcial, quando se tem uma santa terrinha como tu ???? Aqui vai:

Ha lugares onde a terra fertil toca o mar e a paisagem fascina-nos de modo indicritivel. Ha lugares onde as ondas sao simplesmente perfeitas e as pessoas de coraçao quente nos acolhem de braços abertos. Ha lugares onde o patrimonio, pelas maos do homem edificado, se confunde com a rota pelos dinossauros percorrida. Ha lugares que vale memo a pena visitar... Ja conhece a Lourinha?

Aqui onde a terra abraça o mar....

Do alto de uma falesia, no extremo sul da co
sta da prata, na zona Oeste de Portugal, ergue-se em posiçao dominante o Forte de Paimogo, precioso exemplar da arquitectura militar do seculo XVII. Da sua arcada ja roida pelo sal, enxerga-se um concelho disperso em contrastes que ve na sua diversidade a riqueza do seu nome: Lourinha. Ainda no cume do rochedo avista-se num primeiro plano, um areal dourado, preso entre penhascos recortados, que escondem vestigios de dinossauros, e um mar carregado de iodo e viveiros. Depois vem a perfeita simbiose, com um segundo plano de uma paisagem rural, onde o sol expoe aos raios da efemera estaçao, a harmonia das suas cores e uma vegetaçao dedicada a agricultura. Ao longe as Berlengas, que flutuam num azul atlantico. Pelo meio, uma vila medieval, ladeada pelos seus miradouros, moinhos e igrejas, importantes testemunhos das tradiçoes centenarias do seu povo.

Onde a historia é feita de arte...
A historia da Lourinha começa a contar-se desde o Paleolitico, cujos testemunhos podemos apreciar no museu municipal. Depois sao os monumentos edificados que a continuam a descortinar: a igreja do castelo, de estilo gotico e ponto de paragem nos caminhos de Santiago; o
Convento de Santo Antonio, datado de 1598; a Santa Casa da Misericordia, fundada em 1586 e onde se pode encontrar as pinturas do "mestre da lourinha", de singular valor na historia da pintura quinhentista; a Capela de Nossa Senhora da Misericordia, o Monumento comemorativo do centenario da batalha do vimieiro, iminente testemunho da batalha travada aquando das invasoes francesas e finalmente, o Monumento ao Combatente, erguido em jeito de homenagem aos soldados mortos no Ultramar.

Onde o dinossauros deixaram rasto...
A descoberta dos dinossauros Lourinhano
ssaurus antunesi, Lourinhanossauro alequerensis, Brachiosaurus ateleiensis, Draconix loureiroi e do ninho de dinossauros de Paimogo ( o mais antigo do mundo e o unico com embrioes na europa, que a revista Discover considerou como uma das descobertas mais importantes de 1997) fazem da Lourinha, no dizer de Philipe Taquet, do museu de Historia Natural de Paris, " un des lieus celebres de la paleontologie de dinossaures". O grupo de etnografia e arqueologia da lourinha (GEAL), o Museu da Lourinha ( que promove programas de voluntariado neste dominio) e a Camara Municipal muito se tem empenhado nesta questao. Em 2004, inaugurou-se a Rota dos Dinossauros, que convida o caminhante a 9,9 Km de pura descoberta palentologica e um projevto unico e inovador esta a ser empreendido: o museu e o jardim do jurassico!

Onde o lazer é uma constante...
Com uma area de 156 km2, uma populaçao de 23.000 habitantes, a proximidade de Lisboa, que a A8 encurta para os 45 minutos, os seus 12 Km de praia, que incentivam a pratica da pesca desportiva, da caça submarida, da fotografia subaquatica e do surf, a sua ruralidade, que propicia a equitaçao, o tennis, o BTT, o mini-golf, o karting, a asa delta, ou simplesmente o repouso, o seu parque natural de fonte de lima, a sua gastronomia rica e variada, extrictamente ligada à dictomia mar-campo
, a sua aguardente unica de zona demarcada do pais, as suas festas de cariz popular, os seus animados bares discotecas no centro da vila ou à beira da praia e a sua pousada da juventude que roça o areal da Areia Branca, conferem a Lourinha a expressao viva de um concelho em movimento e um imperdivel destino de ferias. Recomenda-se!

( texto publicado in Cap Mag nr.143, por T.R
.)

E aqui esta o meu tributo, a minha santa terrinha. Ficaram convencidos? Os amigos sabem que serao muito bem vindos. Os outros tambem. Com a condiçao de preservarem o lugar. Divirtam-se!

5 Comentários:

Às segunda-feira, 26 junho, 2006 , Anonymous Anónimo disse...

quand on ne sait pas ou on va, on regarde d'ou on vient.

 
Às segunda-feira, 26 junho, 2006 , Blogger Ignnis disse...

Helder:
Meme si l'incertitude provoque la nostalgie, je ne suis pas tt a fait d'accord avec ce commentaire si philosophique.... Meme quand tu sais ou tu vas, ça ne t'empeches pas de te souvenir des endroits ou tu etais toujours heureux... ce pour cela que toi, aussi,(un garçon si determine) tu retournes tous les anees a tes origines, ça veut dire, a tes racines.... Il faut jamais oublier d'ou on viens, meme quand on sait tres bien ou on va.... Je partage l'avis de Torga!
*

 
Às segunda-feira, 26 junho, 2006 , Blogger Ignnis disse...

D'ailleur, ça nous aide a savoir ou on va!

 
Às terça-feira, 27 junho, 2006 , Anonymous Anónimo disse...

como prometido, ca estou a deixar o meu comentario! de certeza que nao conheço a nossa santa terrinha tao bem como tu...tendo em conta que ja la passaste muitos mais veroes e tardes que eu... mas é um sitio muito especial para todos nos... mais que nao seja, é dos poucos lugares onde juntamos a familia...

em relação ao teu blog, ta mt fixe... ainda nao tive oportunidade de ler td (pudera, com esses testamentos enormes que escreves ;p)

beijoka minha linda!
gosto mt de ti! tou a morrer de saudades!

 
Às domingo, 02 julho, 2006 , Anonymous Anónimo disse...

ate me fizeste lembrar a minha santa terrinha. porque sera? So me ocorre dizer, ( e como diria o profeta): FELIZES daqueles que têm uma santa terrinha como a nossa!
beijos e muitas saudadinhas
Oesteeeeeeeeeeeee!!!!!!!

 

Enviar um comentário

Subscrever Enviar feedback [Atom]

<< Página inicial