domingo, agosto 06, 2006

Minha namorada é tão bonita by vinicius

Ja que o texto que vou transcrever em baixo, vai com "sutaqui", tambem vou escrever com "sutaqui", pra variar... Grande achado. Estje. Fruto da minha frequentje falta dje concentração durante os estudos.. Olho prum lado olho prum outro e nada dje nada. Peguei num livro, soprei um númerô (a partir dje um critério ainda desconhecido), abri na página e li. Foi uma beleza cara, pra perdê tempo.... ou ganhá-lo... Pô, bonitjinho dje mais. Só podjia ser du Vinicius né? Pô, ver os olhos dá namorada como "besourinhos do céu", como "estrelas sempre balbuciando aos passarinhos", meu Deus, chega a ser imorau e obseno dje tão lindo. Putz, penso às vezes que Vinícius nem existjiu..Ah, um Vinícius na vida é tudo o que uma mulher qué (se bem que se ele vié com menos bebida eu prefiro!) Ô Poeta, sua bênção, viu!

"A minha namorada é tão bonita, tem olhos como besourinhos do céu. Tem olhos como estrelinhas que estão sempre balbuciando aos passarinhos... É tão bonita! tem um cabelo fino, um corpo de menino e um andar pequenino. E é a minha namorada... vai e vem como uma patativa, de repente morre de amor. Tem fala de S e dá a impressão que está entrando por uma nuvem adentro... Meu Deus, eu queria brincar com ela, fazer comidinha, jogar nai-ou-nentes. Rir e num átimo dar um beijo nela e sair correndo. E ficar de longe espiando-lhe a zanga, meio vexado, meio sem saber o que faça... A minha namorada é muito culta, sabe geografia, história, contraponto. E se eu lhe perguntar qual a cor mais bonita ela não dirá que é a roxa porém brique. Ela faz coleção de cactos, acorda cedo vai para o trabalho. E nunca se esquece que é a menininha do poeta. Se eu lhe perguntar: Meu anjo, quer ir à Europa? ela diz: Quero se mamãe for! Se eu lhe perguntar: Meu anjo, quer casar comigo? ela diz... - não, ela não acredita. É doce! gosta muito de mim e sabe dizer sem lágrimas: Vou sentir tantas saudades quando você for... É uma nossa senhorazinha, é uma cigana, é uma coisa. Que me faz chorar na rua, dançar no quarto, ter vontade de me matar e de ser presidente da república. É boba, ela! tudo faz, tudo sabe, é linda, ó anjo de Domremy! Dêem-lhe uma espada, constrói um reino; dêem-lhe uma agulha, faz um crochê. Dêem-lhe um teclado, faz uma aurora, dêem-lhe razão, faz uma briga...! E do pobre ser que Deus lhe deu, eu, filho pródigo, poeta cheio de erros. Ela fez um eterno perdido..."


O excerto acima foi extraído do livro de Vinicius de Moraes, "Antologia Poética", Editora do Autor – Rio de Janeiro, 1960, pág. 68.

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